sábado, 30 de maio de 2009

Star Crossed

Quando ouvi falar deste filme, pensei tratar-se de um pacote anedótico que teria apanhado tardiamente. Afinal não. Este filme existe mesmo e recorre a um modelo comum no mundo da pornografia (coitadinha da branca de neve), o cruzamento de um argumento célebre com um cenário presumivelmente apelativo. Tem quase tudo para ser um filme muito mau. Só falta estrear.

Let's look at the trailer...

quinta-feira, 28 de maio de 2009

O corte das 22 orelhas

Eu não disse que ia ser uma jogatana e tanto? Pois disse. Só que eu também me engano. E então quando me agarro a convicções que me parecem seguras, a frequência é gritante. Não foi um grande jogo, foi um espectáculo de tauromaquia sem ferros. Abissal a diferença entre a circulação de bola. Só comparável ao desespero de passar um jogo inteiro a correr atrás dela. Corrida à espanhola, contudo. O único cavalo que por ali passou, andou sempre perdido em esforços isolados e pouco colectivos, como é seu hábito. No fundo, persiste aí a diferença. Quem tem a aptidão de perceber, que a união dos esforços de 11 talentos supera a capacidade de um sobredotado, consegue inevitavelmente chegar mais longe. E repete-se a noção de que o Barcelona, quando em vantagem, impõe o ritmo de jogo de forma soberba e quase parece divertir-se por definir onde, como e quando mata o jogo. Se o esférico pudesse compensar quem o acariciou de forma mais respeitosa, seguramente que o destino da taça seria o mesmo.

Uma figura discreta, e cada vez menos inesperada, emergiu da constelação de estrelas presente em Roma. O jogador de futebol mais inteligente da actualidade: Andrés Iniesta. Um bandarilheiro levado em ombros por toureiros afamados. Sem dúvida, "més que un club". O Barça triunfou.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Venha de lá o primogénito



Esta música escancara qualquer alma...

Não era?

A expressividade dos "não era?", da publicidade da CP aos alfa pendular, atinge um comprimento de onda tal que me desarma os sentidos. Alguém sabe de quem é aquela voz?

Mais do mesmo

A Tektónica é a feira das vaidades da construção em Portugal, onde todas as empresas fornecedoras que querem ganhar notoriedade, adquirem um espaço a custos proibitivos para se promoverem. Repeti a visita desconfiado, já no último dia, se bem que com a agitação do fim de semana, o tema foi ficando pendente. Desconfiado porque, ano após ano, a capacidade de inovar tecnologicamente é invariavelmente subjugada à ostentação de grandes stands, onde se exibem uma repetição de torneirinhas, mosaiquinhos, penicozinhos e mais o diabo que os carregue. Uma feira para arquitectos de interiores, decoradoras e atrelados cheios de tias com as bagageiras repletas de revistas de decoração. Estranhamente, e apesar da crise, continuam presentes todas as espécies do "shire": o pato bravo barrigudo, com a companheira nádegas de abóbora; o comercial noviço, rosto corado e vestuário excessivo; o comercial experiente com o seu penteado rebelde, já grisalho, a disfarçar o olhar pedante e a argumentação técnica insustentada; o perito envergonhado que tenta passar despercebido para sobreviver fora do habitat natural (muitas das vezes recrutado como ilusionista de circo); o estudante assustado (e não é caso para menos); e os visitantes comuns (o que vem para socializar e despejar uns canecos, o que vem para se despachar e ir para casa mais cedo e os que vêm para dizer mal e espreitar gajas, ou seja, eu e mais uns quantos palhaços).

Uma tristeza que, nos tempos que correm, ninguém reme contra a maré. Aquela máxima que a adversidade aguça o engenho, neste caso simplesmente não se aplica. Não há um lampejo de criatividade. Um trolha trovador que cante uns piropos de cima de um andaime (e não era assim tão difícil, andaimes havia muitos e devotos da piroseira também). Ensaios ao corte em mosaicos cerâmicos efectuados com crânios grisalhos (admito que certas peneiras me irritam solenemente). Concursos de design para torneiras a realizar entre os visitantes (aposto que 90 % das obras primas eram piretes). Piscinas com modelos em bikini na bordinha (minto, estas estavam lá). Capacetes de obra em forma de painéis solares/outdoors, que por acumulação de energia exibam fotos de gajas nuas em slide. Betoneiras/sanitas para o desenvolvimento de argamassas de fibras orgânicas recicladas. Tradutores de bolso electrónicos, com conversões múltiplas para os dialectos ucraniano, moldavo, crioulo, brasileiro, palopiano, vernáculo de obra e português. Sistemas de domótica incorporados com interfaces para bimbys, aptos a elaborar refeições sem necessidade de ingredientes (agradeço a ausência específica desta simpatia, senão lá estava eu condenado a servir jantares em casa). Divisórias com barreiras acústicas automatizadas, com activação sonora despoletada por orgasmos sonoros ou ranger de camas. E por aí fora.

Os únicos que salvam a honra do convento são mesmo os espaços da Zon, que se mantêm fieis aos propósitos da surpresa e da inovação. Porque nunca se percebe o que estão lá a fazer. E porque este ano, aquelas meninas embrulhadas em vácuo, deixaram os intelectos de vocação curiosa a salivar em excesso.

É por tudo isto que sinto uma inveja sincera, sempre que vejo os sorrisos dos gigantes da NBA a acompanharem o "I love this game".

terça-feira, 26 de maio de 2009

Porque estão aí a estourar...



AC/DC no estado ainda mais puro.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

"Champions Si o Si"

Como as lides por cá estavam praticamente definidas e o fim de semana estava livre, aceitei um desafio de impulso e fui realizar um sonho de outros tempos. Mochila na bagageira. 500 quilómetros de percurso. Destino: Estádio Ramon Sanchez Pizjuan. Há já algum tempo que o B. me aliciava para espreitar o futebol do país vizinho. Recusei uma e outra vez, pela hora tardia de Domingo. Hesitei perante o interesse de jogos em Huelva e Almeria. Mas Sevilha é diferente. Tem outros encantos. Outras paisagens. E o Sevilla-Depor ao vivo.

Com a chegada em cima da hora, toca de levantar bilhetes, arranjar alojamento e devorar curiosidades. Pelo prazer do futebol jogado a um outro nível. A qualidade de passe. A geometria do futebol. O rigor da táctica. A ausência de simulações. Sobretudo a intensidade do jogo. Tudo um passo à nossa frente. Um campeonato com estádios cheios. Com regionalismos. Com orgulhos genuínos e não repartidos. E praticados num equilíbrio quase geral. Bónus número 1. Homenagem ao capitão Javi Navarro que se retira. Primeiro momento arrepiante. Bónus número 2, com a entrada das equipas em campo. 46000 goelas afinadas gritam a plenos pulmões a melodia que anexo. Garanto-vos que eriçou os pelos do cu ao mais indiferente dos espectadores ali presentes. Um jogo intenso. Um resultado suspenso até ao último minuto. Uma claque como nunca tinha visto, que não se cala e que vale muito mais que um 12º jogador. Se o Nuno Gomes ali jogasse, encarnava o Petit com os dentes ainda mais tortos e umas gengivas capazes de morder o mais inatingível desafio. Bónus número 3. Ida à champions. Fogo de artificio. Uma hora presos no estádio entre milhares de almas a levitar entre cânticos e coreografias. O contágio do calor das gentes da Andaluzia. Fiquei fã. Porra. Fiquei mesmo.

Antes dos outros quinhentos quilómetros, para os entendidos, confirmei que do outro lado do balcão central do Antique, o significado da palavra biberonazos continua repleto de todo o seu esplendor. Apesar de em Liverpool estes atributos serem mais escassos, Anfield está prometido. Não sei para quando. Mas vamos lá.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

O anónimo mais exposto do momento


Um gajo não pode deslocar-se por uma via rodoviária em Lisboa, sem dar de caras com esta fronha. Este outdoor tem o mérito raro, dia após dia, de me conduzir instintivamente a perguntas, para as quais não tenho qualquer curiosidade em saber a resposta.

O que é o MMS? Quem é este vulto? Porque lhe fizeram uma estátua de cera? Quanto tempo se aguentará ali? Será que o gajo amanhã solta uma gargalhada? Será que alguém se importa? Será que alguém ainda repara que esta criatura ainda aqui está? Mérito de quem? Mudar o quê e para quê? Morreu-lhe alguém? São estes os efeitos da gripe suína? Ou das aves? Estes tipos não têm outra avestruz noutro outdoor? Porque é que esta velha não se encosta à direita? É esta a personificação da descrença total? O que diria disto a higiene dental da Monica Lewinsky? Quem foi o idiota que marcou eleições para uma semana com três dias de trabalho? Em que praia é que não vou votar? Será que mais alguém se lembrou que esta figura ficava com mais personalidade, se lhe intrometessem o emplastro sobre o ombro direito? Porque é que este sentimento de culpa me consome sempre no final da CRIL? De que clube será este fantasma? Quem comprámos nós hoje? Se por detrás de um grande homem está sempre uma grande mulher, porque é que este coitado só tem direito a uma estrutura de ferro? Ninguém tem coragem de sepultar os caixilhos e laminados? Quem sabe amanhã não aparece uma campanha megalómana de uma marca de lingerie? Quando é que te calas?

Sapatos Vermelhos


Apesar da colagem, esta jovem promete...

Adeus para quando?

Se eu não estivesse em blackout, diria que a presidência de Bettencourt vai criar uma ventania de credibilidade de sentido único na segunda circular (até as orelhas vão servir para vendar olhos).